Início EsportesUcraniano desclassificado por homenagear mortos na guerra – 12/02/2026 – Esporte

Ucraniano desclassificado por homenagear mortos na guerra – 12/02/2026 – Esporte

Por biocoresuplementos@gmail.com


Um capacete político demais para os Jogos de Inverno de Milão-Cortina. A intenção do ucraniano Vladislav Heraskevych, 27, de competir por uma medalha no skeleton com seu capacete contendo imagens de cerca de 20 atletas de seu país mortos na guerra contra a Rússia levou à sua desqualificação nesta quinta (12), antes de entrar na pista.

Depois de dias de conversas e tratativas, o COI (Comitê Olímpico Internacional) decidiu pela exclusão por considerar que o capacete vai contra a proibição de “manifestação ou propaganda política, religiosa ou racial” nos espaços das Olimpíadas.

Heraskevych, que não participou das duas descidas do dia na prova, entrou com um recurso na Corte Arbitral do Esporte (CAS). A entidade confirmou o recebimento do pedido e prometeu analisá-lo com agilidade. Há a expectativa de uma resposta na sexta (13), quando a competição terá sequência com mais duas descidas e a definição dos medalhistas.

“Ninguém –eu, especialmente– discorda da mensagem. A mensagem é poderosa. É uma mensagem de lembrança. É uma mensagem de memória. Não se trata da mensagem em si; trata-se literalmente de regras e regulamentos”, disse a presidente do COI, Kirsty Coventry, ex-nadadora do Zimbábue, após ter tentado convencer pessoalmente o atleta a competir sem as imagens. “Precisamos garantir um ambiente seguro para todos. E, infelizmente, isso significa que nenhuma manifestação é permitida.”

A proibição de gestos considerados políticos está no parágrafo 2 da regra 50 da Carta Olímpica. Também é mencionada nas “Diretrizes sobre Expressão do Atleta”, publicada em julho para os Jogos de agora.

“O foco nos Jogos Olímpicos deve ser nas performances dos atletas, no esporte, na unidade e na harmonia internacional que os Jogos Olímpicos buscam promover”, diz um trecho do documento, que, segundo o COI, é resultado de uma consulta com mais 3.500 atletas.

Antes da decisão, Heraskevych tinha afirmado logo cedo nas redes sociais que “nunca quis criar um escândalo com o COI”. “O COI criou isso com sua interpretação das regras, que muitos veem como discriminatória”, escreveu.

Na mensagem, ele fazia uma proposta ao comitê para encerrar o caso: tirar o veto ao “capacete da memória”, como ele chama o acessório, pedir desculpas pela “pressão” sobre ele nos últimos dias e, “como sinal de solidariedade com o esporte ucraniano”, fornecer geradores elétricos para as instalações esportivas do país que “sofrem com os bombardeios diários”.

Após a decisão do COI, ele publicou uma foto sua com o capacete e a frase “esse é o preço da nossa dignidade”.

Em Pequim-2022, Heraskevych já tinha se manifestado contra a guerra em área de competição. Daquele vez, ele mostrou a mensagem “não à guerra na Ucrânia“, impressa em um pedaço pequeno de papel nas cores da bandeira do país. O COI considerou o gesto como um “apelo geral pela paz” e não o puniu.

Dessa vez, o comitê tentava desde segunda (9) demover Heraskevych da ideia do uso do capacete. A organização ofereceu a ele que, como alternativa, usasse uma braçadeira preta. Em nota, o COI afirmou nesta quinta que permitiu que ele usasse o capacete nos treinos e que, nas tratativas, disse que ele poderia vesti-lo logo após a competição, no espaço chamado de zona mista, reservado ao encontro com jornalistas.

“O luto não é expresso e percebido da mesma forma em todos os lugares do mundo. Para apoiar os atletas em seu luto, o COI disponibilizou centros multirreligiosos nas vilas olímpicas e um espaço dedicado ao luto”, diz o comunicado.

O presidente Volodimir Zelenski usou as redes sociais para criticar a decisão. “O esporte não deveria significar amnésia, e o movimento olímpico deveria ajudar a acabar com as guerras, não fazer o jogo dos agressores”, disse. Para ele, o capacete é um “lembrete para o mundo inteiro do que é a agressão russa e do preço da luta pela independência”.

“É a Rússia que viola constantemente os princípios olímpicos, usando o período dos Jogos Olímpicos para travar guerras”, escreveu, listando conflitos desde 2008 envolvendo o país adversário. “Agora, em 2026, apesar dos repetidos apelos por um cessar-fogo durante os Jogos Olímpicos de Inverno, a Rússia demonstra total desrespeito, intensificando os ataques com mísseis e drones contra nossa infraestrutura energética e nosso povo.”

A Rússia é alvo de banimento em Jogos desde 2016, primeiro devido ao uso sistemático de substâncias que levavam ao doping de atletas e, desde 2022, devido à guerra na Ucrânia. Em Milão-Cortina, 13 atletas nascidos no país competem como “neutros”.



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