Alvos de uma operação conduzida pela Polícia Civil de São Paulo na manhã desta quarta-feira (21), Mara Casares e Douglas Schwartzmann integravam o núcleo duro da gestão de Julio Casares, presidente do São Paulo que responde a um processo de impeachment e está afastado do cargo por decisão do Conselho Deliberativo.
Douglas e Mara —ex-mulher de Julio, com quem tem dois filhos— também deixaram de frequentar a sede do clube. Ambos solicitaram afastamento de seus cargos após a denúncia de participação em um esquema de venda ilegal de camarotes no estádio do Morumbi. Ele atuava como diretor-adjunto das categorias de base, enquanto ela era diretora de futebol feminino, cultural e de eventos.
Em nota, a defesa de Mara disse que ela foi “surpreendida na data de hoje com o cumprimento de medida cautelar de busca e apreensão em sua residência” e acrescentou que “mantém a sua postura irrestrita de colaborar amplamente para a elucidação dos fatos perquiridos, cuja lisura de seus atos será comprovada ao longo desta investigação policial”.
Também em nota, os advogados de Douglas criticaram a operação. “À toda evidência que a busca realizada na presente data – justamente quando as Autoridades tinham prévia ciência que Douglas estaria fora do país – tem a finalidade única de constrangê-lo, uma vez que tal medida foi totalmente inócua”.
Além do cargo executivo, Mara Casares integra o Conselho Deliberativo do São Paulo. Eleita em 2023, recebeu 936 votos favoráveis para compor o órgão, número recorde de apoio dentro do clube.
Ciente de sua força política e amparada pelo capital acumulado durante a gestão do ex-marido, Mara era cotada para cargos mais altos no Morumbi, sendo apontada inclusive como candidata a presidente do clube.
Em um dos áudios divulgados pelo site ge.com, que indicaram sua suposta participação no esquema de venda irregular de ingressos para shows, Mara demonstra preocupação com o impacto do caso sobre sua trajetória política no São Paulo.
“Eu estou percorrendo dentro do São Paulo um caminho profissional de futuro para assumir coisas grandes. E eu vou ser prejudicada. Só isso. Eu falei isso para vocês sempre. Não podemos ter problema. Não podemos ter problema. Eu sempre te falei isso”, afirmou, de acordo com a gravação.
Advogada, pós-graduada em recursos humanos e professora de Direito e Legislação da rede pública, Mara nega qualquer atuação irregular dentro do clube.
“Repudio de forma veemente qualquer afirmativa ou insinuação sobre a existência de ‘esquema de venda de ingressos’. Essa narrativa não condiz com a realidade e será devidamente esclarecida e provada no momento oportuno”, afirmou, em nota, na ocasião do vazamento dos áudios.
Durante a operação desta quarta-feira, a Polícia Civil apreendeu R$ 20 mil em espécie, além de documentos e uma CPU.
Também foi cumprido um mandado de busca e apreensão na residência de Douglas Schwartzmann. As equipes policiais constataram que ele está fora do país. Os filhos do dirigente receberam os policiais, que realizaram buscas no local.
Conselheiro do São Paulo e diretor-adjunto das categorias de base, Douglas já ocupou diferentes cargos na diretoria do clube. Foi diretor de comunicação em 2014 e, no ano seguinte, vice-presidente de Marketing e Comunicação. Posteriormente, assumiu a função de secretário-geral, da qual pediu afastamento em 2021, em meio a uma investigação do Ministério Público por supostos crimes de fraude e lavagem de dinheiro na gestão do então presidente Carlos Miguel Aidar.
Em 2022, Douglas foi absolvido pela Justiça, juntamente com os demais envolvidos no caso.
Sócio-gerente da DDS Consultoria, segundo informações de seu perfil no LinkedIn, ele também nega participação em qualquer esquema de venda ilegal de ingressos.
“Não tive, em nenhum momento, qualquer participação em venda, negociação ou comercialização de camarotes ou ingressos de eventos realizados no Estádio do Morumbi. Nunca exerci função ligada à gestão ou locação desses espaços e jamais recebi qualquer valor, benefício ou vantagem relacionada ao SPFC”, afirmou.
Na última sexta-feira (16), o Conselho Deliberativo do São Paulo aprovou o afastamento de Julio Casares da presidência do clube. Na votação do impeachment, 188 conselheiros votaram contra sua permanência no cargo, enquanto 45 foram contrários ao pedido e dois votaram em branco.
A queda de Casares é atribuída ao derretimento de seu capital político, provocado por uma série de escândalos que abalaram a gestão, sobretudo o esquema no qual Mara Casares e Douglas Schwartzmann são investigados.
Interinamente, a presidência do São Paulo é ocupada por Harry Massis Junior, 80, até que os sócios do clube deliberem sobre o pedido definitivo de impeachment de Julio Casares.
Veja nota da defesa de Mara Casares
A Sra. Mara Suely Soares de Melo Casares, por meio de seus advogados Rafael Maluf, Paula Stoco e Chiara de Siqueira, vem a público informar que foi surpreendida na data de hoje com o cumprimento de medida cautelar de busca e apreensão em sua residência.
Cumpre destacar que a Sra. Mara Suely Soares de Melo Casares sempre se colocou à inteira disposição da Autoridade Policial para prestar os devidos esclarecimentos acerca dos fatos perquiridos nos autos do aludido Inquérito Policial, jamais tendo sido intimada para qualquer ato que objetivasse a sua respectiva elucidação, mesmo com o constante contato presencial de seus advogados com a Autoridade Policial. É inegável a postura colaborativa da Sra. Mara Suely Soares de Melo Casares com o deslinde das investigações, cujo teor é amplamente divulgado pelos meios de comunicação. Dessa forma, uma medida desta gravidade, cujos fatos são públicos, a torna desnecessária e inócua, restando como objetivo apenas e tão somente a exposição midiática e abusiva da Sra. Mara e de seus familiares.
A Sra. Mara Casares mantém a sua postura irrestrita de colaborar amplamente para a elucidação dos fatos perquiridos, cuja lisura de seus atos será comprovada ao longo desta investigação policial. Por fim, a Defesa esclarece que ainda não teve acesso à íntegra da decisão proferida pelo Juízo da Vara das Garantias do Foro Central Criminal da Capital do Estado de São Paulo, que determinou a medida de busca e apreensão.
Veja nota da defesa de Douglas Schwartzmann
No final do ano passado, quando tomou ciência da investigação pela mídia, a Defesa se dirigiu a Delegacia e informou que o Sr. Douglas Schwartzmann estava à inteira disposição da Autoridade Policial para prestar esclarecimentos sobre os fatos.
Ato seguinte, no dia 9 de janeiro, a Defesa comunicou formalmente a Autoridade Policial que o Sr. Douglas faria uma viagem ao exterior na semana do dia 18 de janeiro, em razão de compromissos profissionais.
Inclusive, naquela oportunidade, apresentou-se cópia das passagens aéreas – ida e volta -, bem como a documentação comprobatória das atividades que faria no exterior.
Hoje, policiais civis se dirigiram a residência do Sr. Douglas e constataram o óbvio: ele não estava.
À toda evidência que a busca realizada na presente data – justamente quando as Autoridades tinham prévia ciência que Douglas estaria fora do país – tem a finalidade única de constrangê-lo, uma vez que tal medida foi totalmente inócua.
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